Eleições de meio de mandato nos EUA: Trump perde força em 2026

Entenda como funcionam as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, por que a vitória democrata na Câmara e no Senado representa uma derrota política para Donald Trump.

Por Equipe de Redação - Serian Vistos

Em 05 de novembro de 2026 às 18h48

As eleições nos Estados Unidos funcionam de maneira diferente das eleições no Brasil. Uma das principais diferenças está na forma de votar. Enquanto no Brasil utilizamos urnas eletrônicas, nos Estados Unidos os eleitores também podem votar usando cédulas de papel ou enviando seu voto pelo correio, dependendo das regras de cada estado.

Outra diferença importante é a maneira como o presidente é eleito e a realização das chamadas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms.

Mas o que são as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos?

As midterms são eleições realizadas a cada quatro anos, quando o presidente dos Estados Unidos chega à metade de seu mandato, ou seja, após dois anos no poder.

Nessas eleições, os americanos escolhem novos representantes para o Congresso, que é parecido com o Congresso Nacional do Brasil e também é formado por duas partes: a Câmara dos Representantes e o Senado.

Na Câmara dos Representantes, todas as 435 vagas são disputadas. Isso acontece porque os representantes americanos têm mandatos de apenas dois anos. Portanto, a cada dois anos, os eleitores precisam votar novamente para escolher quem ocupará essas vagas.

Já no Senado, a situação é um pouco diferente. Os Estados Unidos possuem 100 senadores, e cada um deles tem um mandato de seis anos. Por isso, apenas cerca de um terço das vagas do Senado é disputado a cada dois anos, e não todas de uma vez.

Nas eleições de 2026, por exemplo, 35 vagas do Senado estão em disputa.

Por que nem todos os estados americanos escolhem senadores nessa eleição?

Os Estados Unidos possuem 50 estados, mas nem todos precisam eleger senadores ao mesmo tempo. Isso acontece porque os mandatos dos senadores começam e terminam em anos diferentes.

Nas eleições de 3 de novembro de 2026, por exemplo, 15 estados não realizaram eleições para o Senado. São eles: Arizona, Califórnia, Connecticut, Havaí, Indiana, Maryland, Missouri, Nevada, Nova York, Dakota do Norte, Pensilvânia, Utah, Vermont, Washington e Wisconsin.

Por que essas eleições são importantes?

Mesmo que o presidente continue no cargo, as eleições de meio de mandato podem mudar bastante o cenário político dos Estados Unidos.

Isso porque os partidos podem ganhar ou perder vagas no Congresso, aumentando ou diminuindo seu poder de influência nas decisões do governo.

Na prática, os resultados dessas eleições podem facilitar ou dificultar a aprovação de novas leis e propostas do presidente, inclusive aquelas relacionadas à economia, à imigração e à política internacional.

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O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é do Partido Republicano. A vitória do Partido Democrata, conquistando a maior parte das cadeiras da Câmara e também no Congresso, mostrou o desgaste que o presidente vem sofrendo perante seu eleitor

Esse desgaste já vinha aparecendo nas pesquisas de opinião. Nos últimos meses, os índices de aprovação do governo Trump não ultrapassavam a casa dos 30%. A desaprovação, por sua vez, tem sido na casa dos 60%.

Com o Congresso (Câmara e Senado) com maioria do partido adversário até o fim do mandato, ou seja, pelos próximos dois anos, Donald Trump terá dificuldades em aprovar projetos de autoria do Poder Executivo. Isso pode engessar sua gestão para questões mais polêmicas, como tarifas contra outros países e a guerra contra o Irã.

O presidente norte-americano depende do Congresso, entre outras coisas, para aprovação de orçamento; criação e alteração de leis; aprovação de nomes para a Suprema Corte, para o Gabinete Presidencial e para o comando de agências federais, como o FBI e a CIA.

Além disso, o Congresso tem a palavra final sobre o envio de dinheiro para reforçar militarmente algum outro país em guerra e sobre a declaração de guerra a outra nação.

Governadores

A população não escolhe apenas novos senadores e deputados nas midterms. Dos 50 estados, 36 elegem novos governadores. Nem todos os estados têm eleições para governador porque cada estado tem a sua regra eleitoral. Os estados de Nova Jersey e Virginia tiveram suas últimas eleições para governador em 2025. A próxima escolha será apenas em 2029.

Por ter regras específicas, cada estado também traz uma cédula com votações próprias. Os eleitores do Kansas, por exemplo, votaram para deputado, senador, governador, secretário de Estado do Kansas, procurador-geral, tesoureiro e comissário de Seguros.

No estado do Missouri, vizinho de Kansas, os eleitores votaram apenas para auditor estadual, deputado e representantes estaduais, o equivalente a deputado estadual no Brasil.

Além disso, cada estado aproveita a ida dos eleitores às urnas para fazer consultas públicas. Na cédula do Kansas, por exemplo, havia uma consulta a ser feita. Na cédula do Missouri, por sua vez, havia oito consultas.

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